Coluna Nossa História: O Carioca de 1948 e o mito do pó-de-mico!


Em 1948 Botafogo e Vasco decidiram o campeonato Carioca daquele ano, o Glorioso não vencia a competição desde o tetra campeonato em 1935 e a equipe cruz-maltina vinha com o expresso da vitória e já conquistado nos anos 40 as edições de 1945 e 1947.

O Glorioso nessa época tinha em campo como maior referência o meia Geninho e o astro maior Heleno de Freitas. Contudo, Heleno não conseguiu tirar o clube do coração da fila, apesar de ter sido artilheiro em maioria das competições disputadas, e foi rotulado de pé frio pelo então presidente do clube Carlito Rocha, que venderia o até então maior ídolo do Glorioso para o aclamado Boca Jrs no final de 1947 e início de 1948.


O Clube de General Severiano iniciou a campanha com uma derrota vexaminosa por 4 a 0 para o São Cristóvão e após aquele jogo o Presidente Carlito Rocha prometeu que o Botafogo não perderia nenhum jogo a mais. E surgiria também naquele campeonato o lendário cachorro Biriba e um dos maiores jogadores do Brasil e para alguns maior ídolo do Botafogo, o craque Nilton Santos. Lembrando que Nilton Santos não jogou a estreia diante do São Cristóvão pois participou do certame dos aspirantes.


Após a estreia desastrosa, o Botafogo engrenou uma sequência de 4 vitórias, incluindo uma goleada por 5 a 2 no Fluminense nas Laranjeiras, e só teve a série interrompida com o empate por 0 a 0 diante do Bangu. Daí por diante o Glorioso empataria apenas uma vez e venceria dezesseis jogos até chegar o confronto que decidiu o campeonato.



Há a existência de algumas lendas sobre o confronto de General Severiano, jogadores vascaínos afirmaram veementemente após o confronto de que foram dopados por uma espécie de calmante que teria sido posto no café que os jogadores cruz-maltinos tomariam durante o intervalo. Essa versão é reforçada no livro "João Saldanha, uma vida em jogo", do jornalista e escritor vascaíno André Ilki, que em seu livro narra uma suposta explicação de João Saldanha sobre o fato. Se ocorreu ou não, nunca saberemos.

Mas a versão mais falada e comentada da época com certeza é a do mito do pó-de-mico. O jornalista e escritor Roberto Assaf conta em seu livro "Histórias do Campeonato Carioca de Futebol" sobre o fato e destaca que "reza a lenda, alimentada é claro pelos cruz-maltinos, que o alvinegro foi favorecido por uma série de fatos estranhos, que começaram a ocorrer quando o time do Vasco saiu do vestiário para o campo de General Severiano." Assaf conta ainda em seu livro que segundo Danilo Alvim e o craque Ademir Menezes, "o time viu-se obrigado a passar por um túnel coberto por uma tela de arame, de onde jogaram uma espécie de pó-de-mico, que deixou determinados craques, como o goleiro Barbosa, com uma coceira interminável."



O fato é que além do jogo que resultou em vitória botafoguense por 3 a 1 e se sagrou campeão após 13 anos de jejum, os botafoguenses venceram os rivais cruz-maltinos em São Januário por 2 a 1 em setembro daquele ano. Mas desse jogo não existe lendas ou mitos contados dos rivais, tudo não passa de chororô vascaíno.

Botafogo 3 x 1 Vasco[1]
  • Data: 12/12/1948
  • Local: Estádio General Severiano
  • Público: 20.000 (18.321 pagantes)
  • Árbitro: Mário Vianna
  • Gols: 1° tempo: Botafogo 2 a 0, Paraguaio e Braguinha; Final: Botafogo 3 a 1, Octávio e Ávila (contra)
Botafogo: Osvaldo Baliza, Gérson e Nílton Santos; Rubinho, Ávila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Pirillo, Octávio e Braguinha. Técnico: Zezé Moreira.
Vasco: Barbosa, Augusto e Wilson; Ely, Danilo e Jorge; Friaça, Ademir Menezes, Dimas, Ipojucan e Chico. Técnico: Flávio Costa.


Obs: Imagens retiradas da internet, caso o autor queira os créditos favor deixar nome nos comentários, teremos o prazer de fazer a referência.

Por: Marcos Cruz
Bibliografia: Jogo do Senta, a verdadeira origem do chororô - Paulo Cezar Guimarães.
Coluna Nossa História: O Carioca de 1948 e o mito do pó-de-mico! Coluna Nossa História: O  Carioca de 1948 e o mito do pó-de-mico! Reviewed by Marcos Cruz on junho 10, 2016 Rating: 5

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