"Pimpãopelão"

Minutos após a vitória do Botafogo por 1 a 0 em cima do Náutico, gol de Lulinha, clube e jogador fizeram o anúncio: Rodrigo Pimpão não era mais jogador do Botafogo. As especulações que envolviam o seu nome horas antes do duelo se concretizaram com o time dos Emirados Árabes pagando a multa rescisória e o jogador aceitando a oferta.

No dia 17 de junho, em uma noite de autógrafos aos torcedores botafoguenses na sede do clube, o próprio declarou: "Quero falar que estou muito feliz num clube que me abriu as portas e que mostra que não deveria ter caído para a Série B, porque é muito grande. Agora estou focado no Botafogo [...] e espero que isso se resolva o quanto antes. Mas tem 90% de chance de eu ficar. Espero mostrar meu melhor futebol até o fim do ano e dar alegria aos torcedores".

E logo após a última partida: "Digo também um até logo. Porque um clube em que a torcida me acolheu muito bem, a comissão também, não posso dizer adeus. Posso dizer só um até logo. Sonho em voltar. Acho que posso mostrar muito. Vou para uma experiência nova, uma vida nova. Vou aprender coisas, e espero voltar, sim".

Discursos prontos e enlatados que, sinceramente, ainda tem alguém que acredita?

Foto: Site oficial do Botafogo
Pimpão vinha se destacando na campanha da Série B, termina sua passagem como o artilheiro do time na competição (com sete gols) e vira mais uma estatística no futebol. Sim, estatística. Foi mais um que se transferiu para o exterior pelo dinheiro como qualquer outro, não procurou se diferenciar ao ficar por aqui até o final do ano, ao menos.

Dinheiro. O clube dos Emirados Árabes levou o jogador porque pagou a cláusula rescisória (leia-se dinheiro), o jogador aceitou a proposta porque fará a sua "independência financeira" (leia-se dinheiro), o Botafogo não tem condições financeiras para cobrir a proposta (leia-se dinheiro) e o empresário do jogador levará uma porcentagem de comissão pela transação (leia-se dinheiro).

No futebol, hoje, tudo é dinheiro.

Se o jogador realmente tivesse o desejo de ajudar o clube na campanha da Série B, se estivesse focado nesse objetivo, se tivesse prazer na profissão que exerce, nada disso teria acontecido se uma palavra fosse dita: não!

Mas o futebol é isso. Hoje, em um ambiente de clientes nas arquibancadas (ou seriam cadeiras superiores vips premium platinum?) e jogadores, dirigentes e empresários que visam apenas o financeiro é apenas mais um lugar para se fazer um bom negócio. O futebol que conhecemos um dia, em nossos primeiros momentos da infância, resiste unicamente pela nossa paixão inabalável pelo clube da Estrela Solitária.

Os jogadores passam. Nós iremos passar, também. Mas o clube continuará. E por uma boa parcela, em nossa conta.

Ah, não me estenderei mais sobre esse assunto e falarei sobre um episódio bacana que aconteceu no intervalo do jogo. Uma mulher ia chutar uma bola no centro do campo, atividade essa já comum em alguns estádios tupiniquins, e foi surpreendida por um pedido de casamento de seu noivo.

Foto: Vitor Silva.
Acontece que descubro, após o jogo e vendo na internet, que o noivo em questão é um amigo meu dos tempos de colégio - era de uma turma acima da minha - e que nos reencontramos no mesmo local em peladas que reuniam os ex-alunos. Sendo assim, só tenho a desejar ao Alessandro e a sua futura esposa toda a felicidade e que o Botafogo possa dar toda a bênção do mundo ao casal.

Um viva aos futuros marido e mulher!

Foto: Vitor Silva.
Por: Thiago Hildebrandt.
"Pimpãopelão" "Pimpãopelão" Reviewed by Thiago Hildebrandt on julho 19, 2015 Rating: 5

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