De André Bahia a Jefferson

Quase um ano depois, voltamos ao Castelão para enfrentar o Ceará. Aliás, preciso dizer a qual jogo estou me referindo? Sim. Estou me referindo ao confronto do ano passado pela Copa do Brasil e o gol do André Bahia. Que noite foi aquela!

No dia 27 de agosto, perdemos para os cearenses no Maracanã por dois a um e com direito ao Jefferson pegar um pênalti no segundo tempo. O adversário foi superior a nós naquela noite e até merecia ganhar de mais aquele jogo. Mas olhando de hoje, de 2015 para trás, podemos concluir que aquele pênalti foi o início da virada.

Dia 3 de setembro. Jefferson não joga - estava com a seleção se preparando para os amistosos contra a Colômbia no dia 5 e Equador dia 9 - e quem o substituiu foi o Andrey. O Botafogo abriu o placar com o lateral Edílson aos 14 minutos, sofreu o empate aos 20 com um gol do Bill - sim, o mesmo Bill que jogou seis meses aqui nesse ano - e a virada com um pênalti convertido pelo Magno Alves aos 26. Antes do intervalo, nos acréscimos, empatamos com Yuri Mamute - acho que foi o único gol do atacante com a nossa camisa.

Com o 2 a 2, bastava apenas um gol para passarmos. Aos 30 do segundo tempo, Bill faz o segundo dele na partida e coloca o Ceará mais uma vez em vantagem. Ali, as esperanças tinham ido embora. Para a minha surpresa, o Botafogo continuava em cima, perdia uma ou outra boa chance quando chegava ao ataque e, aos 48, Wallyson empataria mais uma vez a partida. Já na madrugada do dia seguinte, com muito sono para ter que acordar 4h da manhã e iniciar mais uma nova jornada de trabalho, lembro como se fosse hoje: "que pena que o empate tenha saído tão tarde. Dava para o Botafogo buscar essa classificação se tivéssemos mais tempo". Eis que acontece o inexplicável.

O Ceará dá nova saída de bola, o Botafogo tenta abafar, não consegue e um atacante deles perde uma grande oportunidade. Tiro de meta. Andrey instrui para todos irem para o outro campo, manda um balão, a jogada se inicia pela direita de ataque e a bola acaba sobrando para o André Bahia acertar um daqueles chutes improváveis e estufar as redes adversárias no Castelão. Golaço!

Vibrei, pulei, gritei de alegria e acordei meus vizinhos de prédio com aquele gol. Improvável, mas altamente comemorado. Esse momento foi uma das poucas coisas boas do fatídico ano de 2014. Provavelmente, outro momento que posso comparar a esse foi a vitória de 4 a 0 e os três gols do Wallyson no Maracanã contra o Deportivo Quito pela Primeira Fase da Libertadores.

Jarbas Oliveira 
Vem a última noite de terça, dia 7 de julho. Os dois times voltam a se enfrentar no mesmo palco. Botafogo líder da Série B e o Ceará, atual campeão da Copa do Nordeste, amarga uma incômoda posição que o deixa no Z-4 da competição. Jogo em que as duas equipes tiveram suas chances para vencer, com a melhor delas para o Botafogo em um chute do Luis Henrique no travessão, ainda no primeiro tempo.

Nos minutos finais da partida, o jogo se torna franco e qualquer uma das equipes poderia ter feito o gol que seria o da vitória. Do lado do Botafogo, quem poderia ter se transformado no herói da noite era o Lulinha, mas o seu chute foi bloqueado em cima da linha pelo zagueiro e com o gol vazio. Portanto, quem foi o herói alvinegro - mais uma vez - foi o Jefferson.

O nosso capitão e ídolo trancou o gol a sete chaves e impediu em diversos momentos o gol cearense. Na mais bonita defesa de todas, pegou uma cabeçada com uma defesa plasticamente muito bonita e o rebote em seguida, abafando nos pés do atacante. Como ele mesmo disse ao final da partida, "aquelas defesas mereciam ir para o DVD". E mereciam, mesmo!

O zero não saiu do placar. Continuamos líderes isolados e aumentando a vantagem para o segundo colocado. Se saímos com um pingo de frustração por não ter vencido a partida, ao menos colocamos mais um degrau para o Jefferson em nosso "pantheon" alvinegro.

Christian Alekson 

E nós sabemos que "os nossos ídolos são tantos" e que não é qualquer um que pode sonhar em entrar nessa galeria.

E o Jefferson vem fazendo por merecer.

Por: Thiago Hildebrandt.
De André Bahia a Jefferson De André Bahia a Jefferson Reviewed by Thiago Hildebrandt on julho 09, 2015 Rating: 5

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