Uma crítica à cultura nacional

Em uma sexta-feira a noite, com chuva e frio, o Nílton Santos recebeu apenas 4.862 torcedores, o menor público do clube nessa Série B após quatro partidas em nosso estádio. Com isso, essa postagem não será uma crítica direta à torcida botafoguense. Longe disso. Será uma crítica às torcidas de todo o Brasil ou, como o título sugere, à cultura nacional.


Foto: Vitor Silva
Não gosto quando falam mal da nossa torcida. Se a piada for boa e original, entro na brincadeira normalmente, pois procuro não ter amargura no coração. Caso contrário, não compartilharei com tal injúria, principalmente quando falam que nós somos poucos. Basta andar pela cidade em seu cotidiano e muitas camisas alvinegras serão contadas até o final do dia.

Entretanto, há um fato nessa história: nós não temos o hábito de frequentar o estádio. Aliás, nós e nenhuma outra torcida. O raciocínio é simples: lembrem de uma torcida que lotou o estádio com frequência fora jogos decisivos e retas finais com o time brigando pelo título ou para não cair. Fla? Corinthians? Galo, Bahia, Santinha, Ceará? Não, nenhum time de massa em suas cidades teve tal façanha. Como exceção, Corinthians e Palmeiras estão tendo bons públicos em sequência devido às suas novas arenas recentemente. Mas e quando deixar de ser novidade?

Ontem, era uma boa oportunidade para o estádio receber um grande público: o time vinha de quatro vitórias consecutivas, liderança já garantida até a próxima rodada, dez dias sem partidas oficiais e duas semanas longe da cidade. Mas o dia e a hora afastaram o público botafoguense. O ingresso, ao menos, não foi um problema, pois os preços estavam compatíveis. Já o mau tempo agravou ainda mais a situação.

A seguir, uma boa dica para ir ao estádio com essa condição climática: um bom casaco, um guarda-chuva que não te deixe na mão e, claro, a camisa botafoguense.


Foto: arquivo pessoal
Eu gosto do estádio. Nada se compara em acompanhar a partida in loco. Não é a mesma emoção que assistir em casa ou em qualquer bar de esquina. O bom é estar lá dentro.


Foto: arquivo pessoal
Ao acompanhar os jogos das principais ligas da Europa, confesso que bate uma inveja das torcidas de lá que lotam seus estádios, independente da campanha e do time. Antes do início da temporada, muitas torcidas já esgotam os carnês para toda a temporada. O que importa a esses torcedores é o clube do coração e o sentimento que tem por ele. Nada mais. Óbvio que há problemas no Velho Continente e que não vemos por aqui - como a xenofobia, por exemplo -, mas isso é um outro assunto.

Voltando a falar daqui, especificamente do Botafogo. Uma ideia boa que a nova diretoria vem fazendo nessa temporada são as homenagens aos nossos ídolos, do passado e do presente. Nílton Santos, Jefferson, Fifi, Mendonça e Dé já foram reverenciados. Na última partida, foi a vez de Nílson Dias, atacante que jogou nove temporadas no clube. Apesar de não ter levantado uma taça, é um dos principais goleadores do clube, com 127 gols. "Nossa História, nossa glória".


Foto: Vitor Silva

Como disse anteriormente, procuro não ser amargurado. Tenho o sonho que essa cultura do país irá mudar um dia e teremos os jogos lotados por aqui com frequência. Os times jogarão com os estádios próximos de 100% de sua lotação em sua maioria. E torço para que nós, botafoguenses, possamos ser os pioneiros nesse quesito.

Ao final da temporada, com o Botafogo estando no topo da classificação, não tenho dúvida que o Nílton Santos receberá bons públicos e teremos festas lindas que conseguimos fazer quando estamos em grande número. Mas até lá, espero que as condições (dia, hora, clima, preço do ingresso etc.) sejam favoráveis a nós para que possamos estar em maior número que na última partida.


Foto: arquivo pessoal



Falando da partida, ao final dos noventa minutos, saímos um pouco desolados com o inesperado empate em 1 a 1 com o Boa Esporte. Esperávamos uma vitória para aumentarmos nossa vantagem na liderança. Paciência. Que o time se recupere já na partida seguinte.


Vire sócio! Seja sócio-torcedor!

Sou sócio-torcedor desde 2007 e esse tipo de plano foi uma das melhores coisas que inventaram para pessoas como eu e muitos outros. Ainda mais o plano do Botafogo, aonde você paga um valor fixo e tem acesso liberado às partidas com mando sem pagar nada a mais, ao contrário da maioria dos outros clubes que, em geral, se paga uma mensalidade para se ter a preferência e desconto no ingresso.

É muito bom ser botafoguense, mas é ainda melhor ser sócio-torcedor do Botafogo!


E até a próxima.

#Bota16mil

Por: Thiago Hildebrandt.
Uma crítica à cultura nacional Uma crítica à cultura nacional Reviewed by Thiago Hildebrandt on junho 20, 2015 Rating: 5

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