À criança paranista

Poderia fazer a crônica falando das defesas do Renan. Do gol da vitória do Pimpão nos acréscimos. Da liderança da Série B alcançada após cinco rodadas. Mas não. Durante a euforia da inesperada vitória em Curitiba, ainda acompanhando a transmissão da TV após o apito final, eis que uma imagem me chama a atenção:

Foto: reprodução internet


O futebol é feito de alegrias e tristezas. É o momento da torcida do Botafogo estar feliz e a do Paraná triste. Mas a minha sensibilidade vai em encontro diretamente com as crianças. Ao ver essa imagem, a euforia do gol do Pimpão se dissipou com os segundos seguintes.

Vamos fazer um exercício juntos amigos leitores. Lembram quando foi a primeira decepção que vocês tiveram com o Botafogo? Irei relatar a minha. 1994. Tinha dez anos. O Botafogo estava classificado para as quartas de final do Campeonato Brasileiro para enfrentar o Atlético Mineiro. Nosso time era o grande favorito desse duelo, já que o nosso rival se classificou através de uma repescagem.

Perdemos de dois a zero no Mineirão e ganhamos de dois a um no Maracanã. Fomos eliminados. Eu estava lá. E não queria acreditar que os onze herois no gramado que vestiam a mesma camisa que eu estavam fora do campeonato.

Lembro que subíamos as escadas da arquibancada do Maracanã e saímos pela parte de cima do estádio, meu pai e eu. Descendo aquelas rampas, pareciam que eram intermináveis. Queria ligar a TV e ler o jornal do dia seguinte dizendo o contrário do que acabara de ver com meus olhos. E sim, acreditava que poderia se tornar realidade.

Ah, bons tempos da inocência de criança que não se abalou com a derrota para o seu rival na final do Brasileiro de 1992. Nessa época, não tinha noção das emoções nuas e cruas que uma partida de futebol pudesse oferecer.

Vendo a imagem dessa criança paranista, lembrei da dor que senti em 94. Mas o que me resta fazer? Não tenho o poder de controlar nada para amenizar esse momento. Me conforta apenas a convicção que o tempo será o seu grande aliado para transformar essa dor da derrota do último minuto em crescimento, em fortalecimento.

Outras vitórias virão. Com certeza virão. E que o sorriso possa voltar ao rosto desse menino e de tantas outras crianças que gostam desse esporte. Paranistas e alvinegras. Brasileiras e estrangeiras.

Isso é futebol.

Postagem que teve como inspiração, a bela crônica do Juca Kfouri intitulada "Às Crianças Espanholas", após o revés da seleção da Espanha contra a Holanda na Copa de 2014 e que foi um dos mais belos textos que li durante aquele mundial. Link da crônica aqui.

Por: Thiago Hildebrandt.
À criança paranista À criança paranista Reviewed by Thiago Hildebrandt on junho 04, 2015 Rating: 5

Nenhum comentário

Publicidade

FogoNotícias