Que o nosso grito fique para novembro

   Hoje, a cidade do Rio de Janeiro teve um dia agradável de sol, e recebeu um Maracanã lotado em preto e branco. Botafogo e Vasco decidiram o estadual de 2015. 
   Antes do apito inicial, vi uma cidade colorida em duas cores com suas respectivas camisas e bandeiras. Pessoas se confraternizavam nas ruas. E sim, o respeito tinha voltado por breve momentos em uma atual época de cólera que vivemos em nossa sociedade. 
   Na entrada das equipes, bela festa das torcidas com seus belos mosaicos. A disputa na garganta foi digna dos áureos tempos da arquibancada de concreto.  dentro das quatro linhas, não muito. Tecnicamente, foi um espetáculo pobre, ainda mais se compararmos com Carlos Germano, Wágner, Mauro Galvão, Gonçalves, Juninho Pernambucano, Carlos Alberto Dias, Pedrinho, Paulinho Criciúma, Edmundo, Túlio e tantos outros que envergaram a Cruz de Malta ou a Estrela Solitária no peito. É covardia da minha parte fazer tal comparação. 

Foto: fb.com/BotafogoOficial

   Entretanto, não faltou emoção. Desde o início, o Botafogo procurava dar as cartas. O Vasco diminuía o ritmo e esperava aquele nosso erro. E ele veio nos minutos finais da primeira etapa. Bola roubada em nossa intermediária defensiva e um a zero para eles.  
   Vem os últimos quarenta e cinco minutos. O cenário não mudou muito. O time se esforçava, tentava, mas ficou a impressão que não sabia aonde buscar mais força para "o algo a mais". A outra torcida ganhava confiança, gritando mais forte a cada minuto que se passava. E apesar desse cenário, a nossa torcida não ficava atrás, pois os botafoguenses tentavam ficar ao lado dos jogadores até o último suspiro. 
   A bola ia até à defesa adversária e voltava. Batia e retornava. Parecia que a nau vascaína era inquebrável. Eis que uma bola surge nos pés do Diego Jardel dentro da grande área adversária e, com liberdade, finaliza para o fundo das redes. Um a um. Era o combustível para que time e torcida necessitavam para o restante da partida e mais um gol para os pênaltis. 
   Tentamos. Foram minutos mágicos. Dos quinze minutos regulamentares restantes mais os acréscimos até o segundo gol deles, o do nosso vice campeonato. Cantamos, gritamos, apoiamos, acreditamos até o último instante. A expulsão do Fernandes não abalou a confiança da maioria. Seguimos acreditando. Mas não deu. 
   Um vice campeonato que em nada nos envergonha. Seria bom se tivéssemos levantado a taça e ter colocado a faixa de campeão no peito? Claro! Mas essa derrota não irá apagar os bons e grandes momentos que os botafoguenses tiveram no Maracanã e ao redor do país. Os jogadores honraram a gloriosa camiseta até a última gosta de suor, entre erros e acertos. 
   E sabe qual é o bom do futebol? Sábado que vem já começa a Série B. O nosso grande objetivo desse ano. Retornar ao lugar que nunca deveríamos ter saído em nossa história: a elite nacional. O tempo será o nosso aliado para esquecermos essa tristeza de hoje e termos novas forças daqui a seis dias. Isso é futebol! O nosso grito de "seremos campeões" estará guardado para novembro. Que os deuses do futebol nos permitam tal alegria. E com a benção de Didi, Garrincha e Nilton Santos. 

   Abaixo, gostaria de compartilhar com os leitores um momento pessoal. 
   Durante a partida, por alguns minutos do segundo tempo, me desliguei do jogo e fiquei vislumbrando a paisagem ao fundo do Maracanã. Tinha essa vista na varanda do meu antigo apartamento. Meu saudoso pai me dizia que essa montanha foi a fonte de inspiração para o trecho do nosso hino nacional que dizia "deitado eternamente em berço esplêndido". E realmente parece que há um gigante deitado ali. 
   Até hoje não sei se ele falava sério ou se brincava para mexer com a minha imaginação. Já perguntei isso algumas vezes à minha mãe e ela também não sabe dizer se ele falava brincando ou não. Nunca procurei a veracidade disso. Mas pra que iria procurar? 
   Por tudo que vivi hoje, quero apenas agradecer por esses pequenos momentos que serão eternos em minha lembrança, até o dia que abandonar o planeta. Abaixo, segue a foto que tirei da paisagem: 

Foto: Reprodução Pessoal

   
        Saudações alvinegras! 
  Crônica de Thiago Hildebrandt 
             Blog Fogo Tático

Que o nosso grito fique para novembro Que o nosso grito fique para novembro Reviewed by Renan Guedes on maio 03, 2015 Rating: 5

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