Maicosuel dá entrevista emocionante ao Jornal Marca Brasil

Retirado do site oficial do "Marca Brasil"



O apoiador Maicosuel fez uma delicada cirurgia no joelho esquerdo para se recuperar de lesão que colocou em xeque o seu futuro no futebol. Na véspera da traumática operação, ficou sabendo pelo médico que corria o risco de nunca mais jogar. Passados sete meses, ele está muito perto de superar o seu inferno pessoal, mesmo que as marcas no joelho sejam para sempre.

Mas o jogador, que está quase voltando aos gramados, é outro. Externamente, ganhou seis quilos de massa muscular, pequeno piercing no nariz e tatuagem tribal no tórax. Mas, internamente, está muito mais amadurecido. Aprendeu à custa de muito suor e dor a ser mais profissional e paciente.

Nesta entrevista, o Mago conta sua dolorosa trajetória nos últimos sete meses. O sofrimento em ver o time pela TV, o carinho que recebeu da torcida e a saudade que sente da bola. E, principalmente, da oportunidade de recomeçar. Uma segunda chance que promete fazer por merecer.

MARCA BRASIL: Mais do que ter ganho seis quilos de massa muscular, você está mais forte depois de tudo o que passou?

Maicosuel: Estou me sentindo mais profissional, com o peso que ganhei com as coisas que estou fazendo. Trabalho duro de manhã, de tarde, tomando suplemento, fazendo o que os fisiologistas e preparadores dizem. Eu vi que precisava e a cirurgia também deu esse tempo para mim. Falaram até que eu vou voltar um pouco melhorado pela parte física, um pouquinho mais forte. Vou poder levar um pouquinho mais a bola, não vou cair tanto.

Qual foi o momento mais difícil desde que você sofreu a lesão?

Um dia antes de eu operar, o médico me disse que tinha muita chance de não voltar a jogar. Isso me marcou muito. Ele me disse que tinha que falar isso. Eu fiquei muito mal, foi o pior dia da minha vida, sem dúvida nenhuma. Não é fácil você escutar isso.

Quando o médico tirou esse enorme peso das suas costas?

No dia seguinte, depois da operação. Ele me disse que a operação tinha sido um sucesso. Disse que eu teria um ano para me recuperar e depois, ao longo do tempo, foi vendo que a minha recuperação foi cada dia melhor. Evoluiu muito bem, baixou de nove meses para oito e agora existe a possibilidade de voltar com sete.

Você sonha todo dia com a volta aos gramados?

Todo dia eu paro para pensar. Quero estrear com vitória. Mas um gol na reestreia seria o fechamento de tudo para todas as pessoas que sofreram juntas comigo. Um gol seria muito especial e vou procurar fazer.

Qual foi o peso da torcida na sua recuperação?

É legal saber que as pessoas não esqueceram aquilo que você fez. Mesmo estando há muito tempo sem jogar, todo mundo se lembra de mim, considera as coisas que eu fiz. O reconhecimento é legal. É uma coisa bacana que te fortifica ainda mais para você ter forças de fazer o que vem fazendo.

Dos inúmeros gestos de carinho e apoio que recebeu após a lesão, algum o deixou mais balançado?

Recebi muitas cartas, e-mails. No dia do lançamento do meu boneco no clube, dois torcedores fizeram uma frase de apoio e ganharam o meu boneco. Eu não me lembro da frase, mas na hora me emocionou muito, até porque tinha sido muito recente a minha contusão. E os dois choraram quando falaram. O carinho de todos foi maravilhoso. A minha família em casa, a Mari, minha mulher, que me aguentou durante todo este tempo, às vezes estressado para caramba porque estava fazendo a mesma coisa e doido para jogar. São todos os meus anjos.
As ações institucionais do clube foram uma forma de você agradecer?
Foi muito legal. Não estava participando dos jogos e no tempo livre sentia que tinha que fazer alguma coisa. E o presidente sempre me chamava para fazer alguma coisa. Ele me chamou para ir à escola (Realengo) e foi muito legal. Adoro fazer essas coisas, ir a hospitais, ver as pessoas. Só você indo para dar valor às coisas que tem, à saúde, à vida. É difícil você ir a um hospital infantil, ver as crianças no estado em que estão e o Botafogo me proporciona essa possibilidade de dar alegrias às pessoas. É sempre bom você ver um sorriso no rosto de uma criança que está precisando.

A torcida está na bronca com o time, após a eliminação no Campeonato Carioca e na Copa do Brasil. Dá para o Botafogo virar o jogo no Brasileiro?

A recuperação vai acontecer. Acho que vão chegar jogadores para somar. Mas o grupo é forte e confia em si mesmo. Acho que a gente tem que chamar a torcida para o nosso lado e transformar o Engenhão em nosso caldeirão. Colocar bastante torcedor para o outro time, quando vier, sentir a pressão. Se a gente procurar fazer o que vinha fazendo anteriormente, sem vaidade, pode chegar neste Brasileiro.
Como foi passar tanto tempo vendo o time somente pela TV?

Tomara que eu possa voltar rápido e ajudar os meus companheiros. É ruim vocês estar de fora e não poder fazer nada pelo time. No jogo contra o Avaí, minha esposa viu na sala enquanto eu estava sozinho no quarto. Porque se tem alguém comigo... Quebrei a TV naquele dia. Eu tenho até medo na hora em que voltar, porque sou torcedor e isso pode me atrapalhar. Fico com medo de ir para cima do juiz (risos).

Quando você volta a jogar pelo Botafogo?

Quero voltar no Brasileiro. No primeiro jogo, contra o Palmeiras, vou fazer de tudo para estar lá. Vou tentar estar em campo no primeiro jogo, mas, se não der, vou me preparar para voltar o mais rápido possível. Depois de tudo o que passei, Papai do Céu me deu esta segunda chance. Não tenho o que falar.... Tenho que abraçar esta oportunidade e só agradecer. Espero voltar logo e muito melhor do que antes.



Por: Igor Melo
Maicosuel dá entrevista emocionante ao Jornal Marca Brasil Maicosuel dá entrevista emocionante ao Jornal Marca Brasil Reviewed by Informe Botafogo on maio 01, 2011 Rating: 5

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